"Quê?" (trailer de Polanski)

Tuesday, March 10, 2009

Seguindo a linha CICERONE...


Seguindo a linha CICERONE... ao contrário do que algumas ilustres pessoas pensam que é só mais uma da minha veia (a cinematográfica no caso emquestão)... Aqui vai mais um minuto de cultura inútil.
[Aos interessados em cultura REALMENTE útil, posso inserí-la sob solicitação.]

É que gosto de ensinar coisas...desde que a interessados...assim, Atrê (do www.conversaatrevida.blogspot.com) já dizia que é sexy quem ensina, acho que sou sexy a - pelo menos - 6 anos e não sabia. (risos)

Bem, de lado as chorumelas e direto ao ponto (hmm...)falemos do dia 1º de April, April Fool's, Poisson d'Avril, no Brasil, países falantes de língua inglesa e França, respectivamente.

Além das muitas possíveis explicações mencionadas a tida com maior grau de certeza é a de que, segundo minhas fontes historiadoras (algo com que a wikipedia curiosamente concorda) no ano de 1564, depois da adoção do calendário gregoriano, o rei Carlos IX de França determinou que o ano novo seria comemorado no dia 1 de janeiro. Alguns franceses resistiram à mudança e continuaram a seguir o calendário antigo - chamado Juliano -, pelo qual o ano iniciaria em 1 de abril.

Gozadores passaram então a ridicularizá-los, a enviar presentes esquisitos e convites para festas que não existiam. Essas brincadeiras ficaram conhecidas como plaisanteries.

No século XVIII a 'festividade' era apontada como datando desde Noé.
Certo artigo de jornal inglês publicado em 13 de abril de 1789 explicava que o dia teve suas origens com o envio muito adiantado do corvo, por Noé, antes das águas baixarem (aquelas do dilúvio, lembram?).

Ele teriq feito isso no primeiro dia do mês hebreu que corresponde a abril.

Outra referência possivel ao primeiro de abril pode ser vista nos Contos de Canterbury (de 1400), particularmente no Conto chamado "o conto da Freira do Clérigo (tradução aproximada de 'Nun's Priest's tale'), um conto de dois tolos: Chantecler e a raposa, que teria ocorrido em 32 de março.

Wednesday, March 04, 2009

Beleza Roubada - 123 minutos de busca contra a dor transformada em lirismo.



Tudo bem, meu post dessa vez - como se fosse a única - é uma menção do post de uma outra mocinha escritora Mariana Warth. Mas só e somente cito porque concordo palavra com palavra com o que ela infomra sob re o filme. Exceto é claro quando chama a trilha de adolescente


"O filme é lindo. A trilha, adolescente. Um misto de jazz, soul, alternativo, folk. É como o filme: uma jovem que descobre o mundo atraves das sensações de infância, novas experiências, passeios no campo e cheiro de mato. Liv Tyler faz o papel de uma menina de cidade grande que vai passar as férias no interior da Itália. Dá-se a história.

Em qual trilha poderia se misturar Portishead, Hoover e Liz Phair com Billie Holiday, Nina Simone e Stevie Wonder? Ainda, os progressivos Cocteau Twins?! Me parece que a menina da cidade grande leva as novas tendências para o interior mas também aprende a ouvir o antigo. O filme mostra isso claramente. A personagem passa grande parte do tempo ouvindo música, o que trouxe de casa. E o velho tio parece lhe sugerir o que deve ser interessante... e muito mais...

Não posso contar muito sobre o filme - mas que também não tem nada demais, é apenas um belo filme de Betolucci, com lindas locações, imagens de sonho, para que todos queiram se mudar para o interior tranquilo de qualquer país pacífico mesmo da nossa imaginação. É aquele lugar do nosso desejo. A gravação de Billie Holiday de "I´ll be seeing you" tem aquele som de rádio velho, vitrola com ruído, exatamente todos os barulhos imperfeitos que escutamos quando em paz, nesse lugar idílico.

Uma pena é que a trilha não conte com nenhuma gravação italiana. Claro, não esperava nenhuma tarantella ao ouvir a trilha, muito menos ao ver o filme. Mas talvez a questão da tradição familiar imbutida no filme pudesse ser traduzida por alguma canção do gênero. Mas não faz mal. Creio que a trilha de Beleza roubada seja irretocável, para todos os gostos. Uma delícia de ouvir."

Graças ao nosso amigão ta vizinhança - não, não é o Homem-Aranha, é o Youtube.com temos aqui uma palhinha da coisa de arte: Trailer - Stealing Beauty - Beleza Roubada (1996)

Resista você. Seja diferente. Tente não ver e não querer ter também esta Beleza Roubada.

Em cena dois links de críticas bacanas com:
Cinema em cena 1.
e
Cinema em Cena 2.

Friday, February 20, 2009

"Quê", filme do polêmico Polanski.



O título em si é uma pergunta constante dos espectadores ao longo de todos o filme.

Lançado em 1973 retrata uma visita de uma jovem à Itália. A abertura do filme, iniciada através da perda de um objeto pessoal que é perseguido vila adentro SEM ou com POUCA roupa constitui uma entrada inusitada para a cena nada convidativa e bastante convencional de cena, logo após um condutor de táxi sair fugindo com os demais pertences da conduzida. Coisa de turista.

A jovem - americana - (Sydne Rome) viajando pelo Itália se encontra numa estranha villa mediterrânea onde nada parece convencional. Sua visita se torna uma versão absurda, decadente e hipersexuada de "Alice no País das Maravilhas", com Marcello Mastroianni como o mais louco dos chapeleiros e Roman Polanski uma pervertida Lebre Maluca (conhecida fora do Brasil como Lebre de Março).


Info do site Melhores Filmes: (com comentário, claro!)

Um Elenco nada menos que interessante: Sydne Rome, Marcello Mastroianni, Guido Alberti, Hugh Griffith, Gianfranco Piacentini, Mario Bussolino, Carlo Delle Piane, Henning Schlüter, e o próprio Roman Polanski.

Este parece fazer como outro mestre (Hitchcock) e dar as caras - de maneira não tão menos sutil (?) - em seu filme. O resto é conferir.

Os puristas que me perdoem, mas achei à altura de um Bertolluci... de um Beleza Roubada (1), talvez. Mas isso de Beleza Roubada (2) já é outra estória.

Wednesday, February 11, 2009

"O Leitor" me parece um puta comensal, com perdão pelo trocadilho. De mentes, de coisas e de conceitos.



QUANDO OUVI PELO RÁDIO O MONDO LIVRO - É um programa para rádio sobre tudo que gira ao redor dos livros e dos autores, no Brasil e no mundo.
Veiculado na Guarani FM (96,5), em BH, às 9h10 e 18h30. Duração: um minuto e meio, num oferecimento da Patrimar Engenharia. - QUASE TIVE UM ATAQUE ORGÁSTICO EM PLENA AVENIDA. UMA LEITURA DENSA E INSTIGANTE EM APENAS 218 PÁGINAS!


"Cansei de ouvir falar bem do livro O Leitor do alemão Bernhard Schlink. Escrito em 95, está publicado em 40 países e ganhou inúmeros prêmios. Finalmente, ele chega ao Brasil, pela Editora Record.
O livro conta a história de um rapaz de quinze anos que tem um ardoroso caso de amor com Hanna, de trinta e nove. Uma mulher madura, sensual e autoritária. Seus encontros eram precedidos de leituras de autores clássicos, como Goethe, Dickens, Tolstói e Schiller. Depois, ele faziam amor. Até Hanna desaparecer no ar.
Sete anos depois, o rapaz, estudante de direito, é convidado para ser jurado, em um caso de crimes de guerra nazista. Quem era uma das acusadas? A sua ex-amante. Aí, ele mergulha nas lembranças e vive o dilema de amar uma criminosa, supostamente capaz dos atos mais horrorosos.
Este é o enredo de O Leitor, que vem com uma novidade: foi adaptado para o cinema, com um belo casal nos papéis principais: Kate Winslet e Ralph Fiennes. É o caso clássico: leiam o livro e vejam o filme. Eu estou curiosíssimo." (Agradecimentos a Mondo Livro) E eu então...!

"Para o elenco, foram convidados os já conhecidos de Hollywood, Raph Fiennes e Kate Winslet. Fiennes interpreta o papel de Michael Berg na fase adulta, enquanto Kate atravessa as décadas retratadas no filme através do belo trabalho de envelhecimento feito por Ivana Primorac e sua equipe de maquiagem. David Kross foi o jovem ator escalado para interpretar Michael Berg durante as décadas de 50 e 60, onde se passa a maior parte da história. Kross é um ator em ascensão na Alemanha, mas desconhecido nos EUA e principalmente no Brasil, porém desempenha o papel com sutileza e precisão. David tinha 15 anos quando foi selecionado para a produção, entretanto a agenda das filmagens teve que ser reestruturada para que o garoto tivesse 18 anos completos quando as cenas de sexo fossem rodadas.

As relações sexuais de fato estão constantemente presentes na película, assim como os reflexos que essas causaram em Hanna e Michael. A diferença latente de idade entre os personagens principais - alvo de muitos ataques e repreensões quando o romance foi lançado - é justificada por Daldry quando afirma que Hanna e Michael devem ter 21 anos de diferença para que pertençam a gerações diferentes e encarem a guerra de maneiras diferentes, caso contrário, o efeito não seria o mesmo."
(linkado de Cine pop)

Friday, January 23, 2009

MODOS DE AMAR


Modo de amar – I

Lambe-me os seios
desmancha-me a loucura

usa-me as coxas
devasta-me o umbigo

abre-me as pernas
põe-nas nos teus ombros

e lentamente faz o que te digo:

Essa aqui é uma palavrinha mágica (daquelas que levanta defunto) de uma série de 15 textículos intitulados Modo de Amar, de uma colega das letras - Maria Tereza Horta - que vocês podem acompanhar na íntegra postados aqui no blog (?) do também amigo das letras Carlos Seabra.


Caros amigos, leitores,e afins, deleitem-se com o que escorre dessas palavas...

Saturday, January 17, 2009

Meretrício (ou, as Conexões Cerebrais...)


Guia prático advindo do início do século passado para passar horas ganhando ... bem. Decida-se sobre o que quer de verdade após ler o texto.

A MERETRIZ

A rua dos destinos desgraçados
Faz medo. O Vício estruge. Ouvem-se os brados
Da danação carnal... Lúbrica, à lua,
Na sodomia das mais negras bodas
Desarticula-se, em coréas doudas,
Uma mulher completamente nua!

É a meretriz que, de cabelos ruivos,
Bramando, ébria e lasciva, hórridos uivos
Na mesma esteira pública, recebe,
Entre farraparias e esplendores.
O eretismo das classes superiores
E o orgasmo bastardíssimo da plebe!

É ela que, aliando, à luz do olhar protervo,
O indumento vilíssimo do servo
Ao brilho da augustal toga pretexta,
Sente, alta noite, em contorções sombrias,
Na vacuidade das entranhas frias
O esgotamento intrínseco da besta!

E ela que, hirta, a arquivar credos desfeitos,
Com as mãos chagadas, espremendo os peitos,
Reduzidos, por fim, a âmbulas moles,
Sofre em cada molécula a angústia alta
De haver secado, como o estepe, à falta
Da água criadora que alimenta as proles!

É ela que, arremessada sobre o rude
'Despenhadeiro da decrepitude,
Na vizinhança aziaga dos ossuários
Representa, através os meus sentidos,
A escuridão dos gineceus falidos
E a desgraça de todos os ovários!

Irrita-se-lhe a carne á meia-noite.
Espicaça-a a ignomínia, excita-a o açoite
Do incêndio que lhe inflama a língua espúria.

E a mulher, funcionária dos instintos,
Com a roupa amarfanhada e os beiços tintos,
Gane instintivamente de luxúria!

Navio para o qual todos os portos
Estão fechados, urna de ovos mortos,
Chão de onde unia só planta não rebenta,
Ei-la, de bruços, bêbeda de gozo
Saciando o geotropismo pavoroso
De unir o corpo à terra famulenta!

Nesse espolinhamento repugnante
O esqueleto irritado da bacante
Estrala... Lembra o ruído harto azorrague
A vergastar ásperos dorsos grossos.
E é aterradora essa alegria de ossos
Pedindo ao sensualismo que os esmague!

É o pseudo-regozijo dos eunucos
Por natureza, dos que são caducos
Desde que a Mâe-Comum lhes deu início...
E a dor profunda da incapacidade
Que, pela própria hereditariedade
A lei da seleção disfarça em Vício!

É o júbilo aparente da alma quase
A eclipsar-se, no horror da ocídua fase
Esterilizadora de órgãos... É o hino
Da matéria incapaz, filha do inferno,
Pagando com volúpia o crime eterno
De não ter sido fiel ao seu destino!

E o Desespero que se faz bramido
De anelo animalíssimo incontido,
Mais que a vaga incoercível na água oceânea...
E a Carne que, já morta essencialmente,
Para a Finalidade Transcendente
Gera o prodígio anímico da Insânia!

Nas frias antecâmaras do Nada
O fantasma da fêmea castigada,
Passa agora ao clarão da lua acesa
E é seu corpo expiatório, alvo e desnudo
A síntese eucarística de tudo
Que não se realizou na Natureza!

Antigamente, aos tácitos apelos
Das suas carnes e dos seus cabelos,
Na óptica abreviatura de um reflexo,
Fulgia, em cada humana nebulosa,
Toda a sensualidade tempestuosa
Dos apetites bárbaros do Sexo!

O atavismo das raças sibaritas,
Criando concupiscências infinitas
Como eviterno lobo insatisfeito;
Na homofagia hedionda que o consome,
Vinha saciar a milenária fome
Dentro das abundâncias do seu leito!

Toda a libidinagem dos mormaços
Americanos fluía-lhe dos braços,
Irradiava-se-lhe, hírcica, das veias
E em torrencialidades quentes e úmidas,
Gorda a escorrer-lhe das artérias túmidas
Lembrava um transbordar de ânforas cheias.

A hora da morte acende-lhe o intelecto
E à úmida habitação do vício abjecto
Afluem milhões de sóis, rubros, radiando...
Resíduos memoriais tornam-se luzes
Fazem-se idéias e ela vê as cruzes
Do seu martirológio miserando!

Inícios atrofiados de ética, ânsia
De perfeição, sonhos de culminância,
Libertos da ancestral modorra calma,
Saem da infância embrionária e erguem-se, adultos,
Lançando a sombra horrível dos seus vultos
Sobre a noite fechada daquela alma!

É o sublevantamento coletivo
De um mundo inteiro que aparece vivo,
Numa cenografia de diorama,
Que, momentaneamente luz fecunda,
Brilha na prostituta moribunda
Como a fosforescência sobre a lama!

É a visita alarmante do que outrora
Na abundância prospérrima da aurora,
Pudera progredir, talvez, decerto,
Mas que, adstrito a inferior plasma inconsútil,
Ficou rolando, como aborto inútil,
Como o ....... do deserto!

Vede! A prostituição ofídia aziaga
Cujo tóxico instila a infâmia, e a estraga
Na delinqüência ....... impune,
Agarrou-se-lhe aos seios impudicos
Como o abraço mortífero do Ficus
Sugando a seiva da árvore a que se une!
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Enroscou-se-lhe aos abraços com tal gosto,
Mordeu-lhe a boca e o rosto...
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Ser meretriz depois do túmulo! A alma
Roubada a hirta quietude da urbe calma
Onde se extinguem todos os escolhos:
E, condenada, ao trágico ditame,
Oferecer-se à bicharia infame
Com a terra do sepulcro a encher-lhe os olhos!

Sentir a língua aluir-se-lhe na boca
E com a cabeça sem cabelos, oca...
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Na horrorosa avulsão da forma nívea
Dizer ainda palavras de lascívia...
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Esse texto é de um sujeito que se envolveu tanto com a arte que morreu de pneumonia. Ou quase. Famigerado, superestimado, mas pouco influente na arte de resolver esse problema recessivo de se safar.

Bem, podia desvelar aqui a nada longa história da trajetória desse louco virtuoso, mas o texto já é longo. Os amigos que, se quiserem, sigam o fio desta meada.

Saturday, January 10, 2009

Palavras que se rep(fl)etem

The Tyger
By William Blake

Tyger! Tyger! burning bright,
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Could frame thy fearful symmetry?

In what distant deeps or skies
Burnt the fire in thine eyes?
On what wings dare he aspire?
What the hand dare seize the fire?

And what shoulder, and what art?
Could twist the sinews of thy heart?
And when thy heart began to beat,
What dread hand, and what dread feet?

What the hammer? What the chain?
In what furnace was thy brain?
What the anvil? What dread grasp
Dare its deadly terrors clasp?

When the stars threw down their spears,
And watered heaven with their tears,
Did he smile his work to see?
Did he who made the Lamb, make thee?

Tyger! Tyger! burning bright,
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Dare frame thy fearful symmetry?
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O TYGRE

Tradução: Augusto de Campos

Tygre! Tygre! Brilho, brasa
que a furna noturna abrasa,
que olho ou mão armaria
tua feroz symmetrya?

Em que céu se foi forjar
o fogo do teu olhar?
Em que asas veio a chamma?
Que mão colheu esta flamma?

Que força fez retorcer
em nervos todo o teu ser?
E o som do teu coração
de aço, que cor, que ação?

Teu cérebro, quem o malha?
Que martelo? Que fornalha
o moldou? Que mão, que garra
seu terror mortal amarra?

Quando as lanças das estrelas
cortaram os céus, ao vê-las,
quem as fez sorriu talvez?
Quem fez a ovelha te fez?

Tygre! Tygre! Brilho, brasa
que a furna noturna abrasa,
que olho ou mão armaria
tua feroz symmetrya?

[CAMPOS, Augusto - "O Tygre"
In: Viva Vaia (Poesia 1949-1979)
Livraria Duas Cidades, São Paulo, 1979]

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O TYGRE

Tradução: José Paulo Paes

Tygre, Tygre, viva chama
Que as florestas de noite inflama,
Que olho ou mão imortal podia
Traçar-te a horrível simetria?

Em que abismo ou céu longe ardeu
O fogo dos olhos teus?
Com que asas atreveu ao vôo?
Que mão ousou pegar o fogo?

Que arte & braço pôde então
Torcer-te as fibras do coração?
Quando ele já estava batendo,
Que mão & que pés horrendos?

Que cadeia? que martelo,
Que fornalha teve o teu cérebro?
Que bigorna? que tenaz
Pegou-te os horrores mortais?

Quando os astros alancearam
O céu e em pranto o banharam,
Sorriu ele ao ver seu feito?
Fez-te quem fez o Cordeiro?

Tygre, Tygre, viva chama
Que as florestas da noite inflama,
Que olho ou mão imortal ousaria
Traçar-te a horrível simetria?


[PAES, José Paulo - "O Tygre"
In:Gregos & Baianos - Ensaios
Ed. Brasiliense, São Paulo, 1985]

Um pouco de cultura estrangeira...

William Blake nasceu em 28 de Novembro de 1757 sendo ele o terceiro filho de uma família de cinco filhos de um vendedor de Londres. Por causa da profissão relativamente clásse média de seu pai, Blake foi criado no memso estado de miséria que ele experimentou durante todo o resto de sua vida.

Quando criança ele já havia tomado gosto pela pintura e acabou sendo mandado pra escola de desenho, afinal. O jovem Willian somente a educação suficiente para aprender a ler e escrever para trabalhar na loja de seu pai.

Apesar de Blake ter recebido muito pouco de uma educação traducional ele era bem versado em literatura grega e latina, na Bíblia e em Milton.